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SCROO

Because there's always a beast within... or just a psychotic bunny wanting to come out.

SCROO

Because there's always a beast within... or just a psychotic bunny wanting to come out.

A Diary of me and my mechanical bunny.

Scroo os comboios

07.08.18, Helena R. Moisio

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 Pois bem, como eu gosto de aventuras radicais (mas não tinha bem a noção do quanto), resolvi ir passar o fim-de-semana passado ao Porto para celebrar o 40º aniversário do meu mais-que-tudo. É claro que quando reservámos o hotel e comprámos os bilhetes de comboio não sabiamos que as temperaturas iam estar acima dos 40 graus, mas tudo bem porque a malta gosta de surpresas. 

 

Assim sendo, sexta-feira às 14:09 lá estávamos nós a apanhar o comboio Alfa n.º 133 e a preparar-nos para nos sentarmos nos nossos lugarzinhos na carruagem n.º 3 (que é sempre a do bar e isto para pôr um finlandês a viajar tem de haver um sitio com um bar). Sendo um espécime masculino nórdico, o meu marido estava um pouco afogueado e também preocupado com o excesso de calor que fazia na plataforma. Eu, como boa mulher que sou, dei-lhe umas palmadinhas nas costas e reconfortei-o dizendo: "Deixa-lá, já entras no comboio e não te preocupes que aquilo tem ar condicionado"... o que eu não sabia é que lhe estava a pregar uma partida de aniversário e que o comboio, não só, não tinha o ar condicionado a funcionar, como também, parecia uma autêntica fornalha e num comboio lotado, estava praticamente estava tanto calor lá dentro como estava cá fora, com o bónus adicional de não haver circulação de ar, nem se poderem abrir janelas. 

 

Foi uma viagem literalmente infernal que, inclusive, em vez de demorar as 2.40h habituais demorou mais de 3h já que o comboio ia a passo de caracol na maioria dos troços. Presumo que tenha sido estratégia da CP para rentabilizar ao máximo esta agradável experiência, afinal já que a malta paga bem há que optimizar as coisas. Também promoveram atividades sociais e de caracter intercultural, uma vez que o único sitio onde corria um pouquinho de ar era no bar (que foi onde passámos a viagem toda), mas até este sitio tinha as suas limitações ao nível da lotação e do convívio. Os senhores do serviço de catering foram muito simpáticos e até começaram a distribuir águas, mas isto só depois de alguém lhes chamar a atenção e de terem de pedir autorização. Também fiquei a saber que os revisores daquele comboio acumulavam funções com as de técnicos de ar condicionados (os portugueses curtem bué estas cenas de ser pau-para-toda-a-obra), infelizmente - e com todo o mérito destes homens, que se esforçaram imenso e se submeteram a condições desumanas para tentar resolver o problema - não foi possível fazer nada, além de desligarem as luzes das carruagens 2 e 4 que eram as que estavam numa situação pior. As casas-de-banho também não funcionavam, excepto 1 da carruagem da 1ª classe creio eu, mas para lá chegar tinha que se atravessar uma das carruagens fornalha XXL onde o ar era praticamente irrespirável. 

 

Foi nestas condições que viajámos no alfa pendular 133, das 14:09, na passada sexta-feira. Nós e o resto dos passageiros, onde se encontravam grávidas, bébes, crianças pequenas, turistas, jovens, idosos etc, sendo que alguns sentiram-se bastante mal. Tudo isto num comboio que não deveria, sequer, ter saído de Santa Apolónia, mas tendo saído, devia ter parado em Coimbra B e não deveria ter prosseguido viagem porque não estavam asseguradas as condições mínimas de viagem nem para os passageiros, nem para o pessoal que se encontrava a trabalhar no comboio. Agora, vêm para aí uns políticos chiar que isto e aquilo é inadmissivel... epá... eu sei que já entrámos na silly season e nesta altura é comum os políticos dizerem e fazerem mais disparates do que habitual, mas tenham juízo porque o que está a acontecer à CP é, não só, o resultado de décadas de má gestão, como também o resultado de décadas de más decisões políticas. Por isso, escusam de estar para aí com gritos e apitos e a pedir responsáveis, porque para saberem quem são basta olharem para o espelho.    

Scroo e os Apartamentos

02.08.18, Helena R. Moisio

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Photo by Héctor Martínez on Unsplash

 

Diz-se por aí numa rede social qualquer - no facebook para ser mais precisa que estou a arrendar um apartamento em Aveiro e por isso, já tive de responder a duas mocinhas estrangeiras para não acreditarem em tudo o que veem e que leem neste universo virtual. Também as aconselhei a reportarem o anúncio e a enviarem-me o link para que eu possa analisar melhor a coisa e tomar as minhas próprias medidas, que podem variar entre uma abordagem softcore (i.e. um aviso simpático que diz tirem lá essa merda daí) e uma abordagem hardcore (i.e. chegar lá à casinha virtual das criaturinhas e destruir-lhes aquela merda toda sem aviso prévio).

 

A mim, diverte-me muito mais a abordagem n.º 2. É mais terapêutica. É como aquelas sessões anti-stress em que a malta vai para uma garagem ou para um descampado, com uns tacos de baseball e/ou umas marretas, partir coisas. É libertador. No entanto, sinto algum constragimento moral em isentar o outro do exercício da sua liberdade de escolha e isto coloca-me num dilema. Por um lado, se lhes concedo essa liberdade de escolha parece que lhes estou a dar a ideia de que isto é uma espécie de negociação (e não o é), e por outro se não lhes concedo essa liberdade pareço um bocado tirânica. 

 

Estão a ver? Isto é terrível!! Eu sei que há imensa gente que ficaria muito feliz em saber que é proprietário de alguma coisa, mesmo que seja no faz-de-conta. Para mim, isso não só não é importante, como também dá muito trabalho e perde-se muito tempo a tratar de ceninhas acessórias. Portanto, digam-me lá, o que é que faço a estas criaturinhas safadas? 

 

Hipótese a)

Hipótese b)

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